Meio Ambiente: As 7 notas verdes

por Jéssica Lauritzen

O que cantores como Joelma e Chimbinha, da Banda Calypso, Altemar Dutra Jr. e Guilherme Arantes têm em comum?

– Um ato simbólico (verde) os uniu.

Você provavelmente já ouviu falar naquela célebre frase: “Na vida, é preciso ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro”. Não necessariamente nessa ordem… No que diz respeito ao meio ambiente, (o Bosque) a Floresta da Fama – uma estratégia do programa Maceió Mais Verde, lançado em 2009 pela Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma) –, tornou essa tarefa mais fácil entre esses e outros brasileiros famosos.

O espaço, localizado no Parque Municipal de Maceió, é reservado para celebridades ligadas à arte, à política, ao esporte ou à cultura em geral para o plantio de mudas de espécies arbóreas que são identificadas em uma plaquinha com os seus nomes junto ao nome da personalidade que plantou. Além dos cantores citados, diversos artistas já passaram por lá desde a inauguração do projeto, que visa ao cultivo de 1 milhão de árvores até 2012.

Tratando-se de Guilherme Arantes, convém lembrar que sua trajetória ecológica já é reconhecida de longa data, principalmente por vínculos com organizações não-governamentais (ONGs). Além de militar pelo meio ambiente por meio de canções, o cantor levanta o discurso na prática: está à frente do Instituto Planeta Água de Pesquisas Ambientais e Educacionais (Ipapae), na Bahia, desde 2000, com o qual desenvolveu o replantio de manguezais e restingas, entre outras atividades.

A essas manifestações ecologicamente corretas, é inegável dizer que, seja por um viés de verdadeiro afeto com a natureza, seja por um hobby ou simplesmente pela conveniência da fama: o meio ambiente agradece.

Mas… Enquanto no Brasil, o engajamento ambiental entre músicos ocorre de modo mais particular, seja por meio do conteúdo das canções (ocasionalmente em eventos do tipo “artistas cantam pelo clima”), ou pelo apoio a ONGs ecológicas e plantio de árvores, um grupo de músicos, nos EUA, se empenha em uma proposta articulada aos impactos causados pelos seus shows.
Para os integrantes da Organização Não-Governamental Musicians United to Sustain the Environment (Muse), ou, em português, Músicos Unidos para Sustentar o Meio Ambiente, criada em 1998, pode ser que o meio musical seja o caminho para salvar o mundo.

Uma ideia antiga. Um novo conceito para os shows

Pensando em reduzir os impactos ambientais, eles incentivam as bandas a aderirem ao conceito do Green Touring, uma espécie de turnê ecológica, adotando medidas como utilizar papel reciclado na confecção de cartazes publicitários e ingressos, ou oferecer descontos para quem se deslocar por transporte coletivo ou bicicletas para os shows.

Além da venda de CDs e camisas com temas ecológicos, cuja renda é revertida para diversas associações ambientais, o grupo dos chamados eco-músicos, que passa boa parte do tempo nas estradas, divulga orientações simples e sustentáveis para serem aplicadas na produção de eventos.

O Muse apoia hotéis com certificados verdes e algumas associações que prestam esse tipo de serviço, entre elas: o Turismo Sustentável – Controle de Tráfego Aéreo, cujo slogan é “ligar a comunidade da música com a ação social”; a Bandago, primeira companhia de aluguel de van, nos EUA, que é 100% de carbono neutro; e a Reverb, uma organização sem fins lucrativos que tem por missão educar e envolver músicos e seus fãs na promoção de um mundo mais sustentável.

Desde 2004, a Reverb, que já trabalhou com mais de 40 artistas, em mais de 90 turnês, dá suporte a artistas considerados verdes como Alanis Morissette e as bandas Maroon 5 e Linkin Park, que estão entre os membros-fundadores do Green Music Group (GMG), um braço da instituição. Além do suporte ecológico para aos músicos nos bastidores dos shows, com forte apelo ao público, a Reverb apresenta, entre outras ações, o Eco-Village Festival, com exposições ambientais e atividades educativas para os fãs; e com o Programa de Compensação de Carbono, também voltado para eles.

A proposta é interessante, e por que não aplicarmos esse conceito no Brasil? Seguindo essa linha, uma iniciativa recente que não podemos deixar passar é a 2ª edição do SWU Music and Arts Festival, que ocorrerá nos dias 12, 13 e 14 de novembro, na cidade de Paulínia (a 18 km de Campinas), em SP. O projeto levanta a bandeira da conscientização ecológica, aliando sustentabilidade, tecnologia e entretenimento, com músicas, intervenções e palestras sobre o tema.

Entre as práticas sustentáveis e melhoramentos urbanos, o plano envolve ampliação das áreas verdes e criação de “trilhas” para bicicletas, além do uso extensivo de ciclovias e Rapid Bus Transit (BRT), integrado ao sistema de transporte já existente no município. Outros destaques incluem um sistema à vácuo para coleta de lixo nas áreas de lazer, um sistema de refrigeração com tecnologia baseada em água e a captação de energia solar que permite aos participantes recarregar baterias de celular, mp3 e outro gadgets durante o evento:


Nos 3 dias de SWU, a arena deve receber cerca de 210 mil pessoas para assistir aos shows de Megadeth, Snoop Dogg, The Black Eyed Peas, Damian Marley e Peter Gabriel, presenças já confirmadas.

Enquanto isso, Rock In Rio 2011 vem aí, pela 4ª vez no Brasil, concentrando seus aproximados 1,5 milhão de pessoas. Sem dúvidas, um grande evento. Porém grandiosos também são os impactos ambientais. Alguns países já entenderam isso e concederam alguns investimentos em edições anteriores. Confira:

PORTUGAL
2006

26, 27 Maio + 2, 3, 4 Junho de 2006
Nº de dias: 5
Público: 350.000 pessoas
Área: 200 mil m2
Cerca de 700 jornalistas foram credenciados para fazer a cobertura diária do festival, 15% eram      estrangeiros. O evento gerou dez mil empregos directos e quinze mil empregos indirectos.
O Projeto Social do Rock in Rio-Lisboa 2006 arrecadou 552.984 euros que foram entregues à SIC Esperança, entidade parceira do projeto social, para serem distribuídos pelas instituições nacionais seleccionadas: ACAPO, FENACERCI, Centro Social Paroquial São Maximiliano Kolbe, CERCICA e Clube Naval de Cascais, Floresta Rock in Rio (para compensar as 3.888 toneladas de gases com efeito de estufa, produzidos durante o evento).

2008

30, 31 Maio + 1, 5, 6 Junho de 2008
Nº de dias: 5
Público: 354.000 pessoas
Área: 200 mil m2
– Cerca de 800 jornalistas credenciados
– Projeto Social: na edição de 2008 a organização do Rock in Rio-Lisboa optou por unir as vertentes ambiental e social num projeto audacioso designado “Rock in Rio Escola Solar”. Foram encaminhados 562.500€ que serviram para compensar as emissões de carbono do evento e equipar 20 escolas com painéis fotovoltaicos. A originalidade deste projeto acabou por o levar a ganhar o 1º lugar da categoria “Juventude” nos Energy Globe Awards 09, onde concorreu com 796 projetos de 111 países.

2010
21, 28, 27,29 e 30 de Maio de 2010
Nº de dias: 5
Público: 329.000 pessoas
Área: 200 mil m2
Foi adotado o tema “Desenvolvimento Sustentável”.
512.082€ investidos:
– na 2ª Edição concurso Rock in Rio Escola Solar, em que foram instalados 360 painéis fotovoltaicos e 18 sistemas de painéis solares para aquecimento de águas sanitárias distribuídos por 18 escolas públicas;
– na 1ª edição do Prêmio Rock in Rio Atitude Sustentável destacando as boas práticas da sociedade portuguesa;
– na compensação da pegada carbónica.
– Pela segunda vez foi um evento 100R (todos os resíduos de embalagem foram reencaminhados para reciclagem).

ESPANHA

2008
27, 28 Junho + 4, 5, 6 Julho de 2008
Nº de dias: 5
Público: 291.000 pessoas
Área: 200 mil m2
– A Telepizza vendeu 96.000 pizzas e o Burger King, 40 mil hamburgers. O recorde da rede foi batido com a venda de 1.000 menus/hora.
– 710 000€ investidos nos itens abaixo:
– na plantação de árvores
– na compensação da pegada carbônica associada ao evento
– em ações de conscientização sobre as Alterações Climáticas
– mais de 300 ônibus foram disponibilizados gratuitamente ao público para incentivar o uso do transporte coletivo
– 100% das emissões de CO2 do evento foram compensadas.

2010
4, 5, 6, 11 e 14 de Junho de 2010
Nº de dias: 5
Público: 250.000 pessoas
Área: 200 mil m2
602.000€ investidos
– na compensação de emissões geradas pelo evento;
– na contratação de transportes coletivo gratuitos para diminuir a emissão de CO2;
– no apoio à Fundación Aladina e Hospital Infantil Niño Jesus;
– no apoio à Massive Good;
– na participação no The Climate Project.

http://www.rockinrio.com.br/pt/rock-in-rio/numeros/

4 thoughts on “Meio Ambiente: As 7 notas verdes

  1. Só fico pensando que coitadas das árvores se elas tiverem que escutar essa turma toda cantando junta. 😦

    Bobeiras à parte, acho a iniciativa super válida. Tá faltando gente que pense assim, ou melhor: pensar todo mundo diz que pensa, o negócio é fazer algo pra mudar.

  2. Adorei o post, Jé! Obrigada pelas infos do SWU, espero que o Foo Fighters venha. Estou nessa torcida incessante! Beijão, Beca

  3. Pingback: Quarta-feira: Sustentabilidade “POR UM MUNDO MELHOR” «

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