Música: O alternativo nunca esteve tão na moda

Foi-se o tempo em que uma banda indie/alternativa/underground estava renegada aos pequenos espaços, à platéias de descolados esquisitões e aos CDs que ninguém conseguia achar.

No último Grammy, pasmem, o melhor álbum foi de uma banda… alternativa. “Who is Arcade Fire???” virou um Tumblr de sucesso e deixou os fãs de Lady Gaga e Katy Perry a ver navios grandes pontos de interrogação coloridos. Mas Arcade Fire não poderia ser mais mainstream.

Só com a música Rebellion, a banda já esteve em um episódio da 5ª temporada da série Six Feet Under (como eu consegui citar essa série em dois posts seguidos sem nunca ter assistido a um episódio?!), num comercial da Bono’s Product Red campaign e – mais popular impossível – como hino para protestos no Wisconsin.

Se isso não fosse o suficiente, Wake up também teve sua chance. Dessa vez, o Arcade Fire deixou a modéstia de lado e foi direto para o Super Bowl, o evento esportivo mais importante e esperado dos EUA, onde um comercial de 30 segundos pode custar 3 milhões de dólares e, só neste ano, foi visto por 111 milhões de espectadores.

Eles não são os únicos a “se vender”, como os fãs puristas costumam se referir às bandas que um dia se disseram “alternativas” e que estão aproveitando seu lugar ao sol. Ou deveria dizer seu lugar em comerciais, filmes, séries…?

Alternativa é a banda que ainda não fez sucesso e isso não é nenhuma novidade. Lou Reed que o diga. O símbolo da sua banda agora estampa bolsas, camisas e já até viou adesivo de parede. Só não sei se todo mundo conhece a verdadeira história dessa banana.

As bandas indicadas ao Grammy de Melhor Álbum Alternativo deste ano, Vampire Weekend e The Black Keys, admitiram essa ambiguidade no programa The Colbert Report.

O histórico de bandas alternativas que se tornaram grande sucesso comercial é antigo, vide o Nirvana, que no início da década de 90 conseguiu fazer com que muita gente comprasse camisas de flanela quadriculadas, mesmo sem gostar das músicas do grupo de Kurt Cobain – que, por sinal, tocavam sem parar na MTV.

Apesar de alternativas, elas têm que pagar as contas no final do mês, como confirmou Jimmy LaValle, do Album Leaf, para o Denver Post. Sobre a música Writings on the Wall ter tocado no seriado Grey’s Anatomy: “Eu não vou mentir – o dinheiro é ótimo, claro. Mas também é uma maneira de atingir novos públicos”.

Elas podem até não ter seus CDs nas listas dos mais vendidos, mas ajudam a manter a indústria do consumo.  Olhem alguns exemplos – nem todos são brasileiros, mas valem pela trilha:
The Shins (New Slang) – Filme Hora de Voltar (The Garden State) (sera que eles pagaram jabá?!)

Para ouvir a música inteira, clique aqui.
Jil is Lucky (The Wanderer) – Kenzo Flower (da série, todos já ouviram a música, mas não conhecem a banda)

Para ouvir a música inteira, clique aqui.

A memória é curta… vocês lembram de outros comerciais ou filmes que têm músicas de bandas alternativas?

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3 thoughts on “Música: O alternativo nunca esteve tão na moda

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