Gastonomia: O consumismo nos resta?

por Daniela Novo

Sem dúvida, hoje o consumismo está atrelado ao ato de comprar exageradamente. Para isso, existe o símbolo tradicional desse sistema: o shopping center. Esse tema da semana é um dos mais discutidos quando falamos do meio ambiente. E também não foge ao cinema como A História das Coisas ou as intermináveis guloseimas de A fantástica fábrica de chocolate. Nem nos livros como Mundo Sustentável – Abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação do jornalista André Trigueiro.

Já que aqui o assunto é Gastronomia, como podemos pensar em consumismo nessa área? Talvez a primeira resposta seja comer e/ou beber. Segundo o dicionário Aurélio, das 19 definições para “consumir”, nenhuma delas é referente ao ato de comer ou de beber. Consumir vem da palavra latina consumere. Na sua origem, consumir adota os seguintes significados: “comer”, “gastar”, “destruir”, “dar cabo de”, “arruinar”. Só que “comer” não está entre essas 19 definições do dicionário.

O dicionário até trata o “consumir” com certa negatividade. Alguns sinônimos são “esgotar”, “enganar” e “iludir”. Se pararmos para pensar, faz sentido. Quando se usa um produto ou se ingere alguma comida ou bebida, num determinado momento aquele “objeto” vai acabar. Entretanto, me incomoda a confusão que se faz entre consumo e consumismo. Geralmente, o senso comum pensa que o consumo é o grande mal da humanidade. Na verdade, não é.

O consumo é necessário para a sobrevivência da espécie humana. O consumismo é a banalização do consumo. Na Gastronomia, estamos sendo consumistas quando “o olho é maior que a barriga”, isto é, come-se mais que o necessário; quando o anfitrião do evento oferece comida além da conta, um banquete, vamos falar a verdade; quando a equipe da cozinha de um restaurante destina as sobras de comida ao lixo. Isso porque a sobra é comumente chamada de resto, que não soa bem. Sobra parece ser mais suave e educado.

Existem restaurantes que aproveitam a sobra de comida do dia anterior e criam pratos em cima daquilo que os clientes não se interessaram em comer. Refiro aos bandejões e aos restaurantes a quilo que costumam ter grandes e volumosas ofertas de comida – olha outro ponto imperceptível do consumismo.

Só que nem todos restaurantes são self-services. Nos restaurantes que apresentam um cardápio diário, a porção de comida que chega ao prato do consumidor é controlada. E se existe controle na parte final, certamente, o mesmo deve ocorrer no estoque e na organização dos alimentos que são a etapa inicial da preparação de uma iguaria.

Dessa forma, pensar em controle e organização independente de um restaurante econômico ou cinco estrelas é fundamental para o consumo consciente. Isso se aplica a dona de casa, ao gourmet e aos cozinheiros amadores. E vale um pouco de criatividade também paras as sobras de comida.
Até o próximo sábado.

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