Música: Reis do estilo

Na década de 60, os Beatles marcaram época com seu iê-iê-iê . Ao surgirem com cabelo em forma de tigela e ternos de garotos comportados, fizeram toda uma geração baixar os topetes que vinham cultivando desde o sucesso de Elvis Presley. Seja nesse período da carreira do quarteto de Liverpool ou depois, quando adotaram ternos coloridos, bigodes e costeletas; os Beatles ditaram moda.

Eles conseguiram, mesmo que inconscientemente, o que muitas bandas tentam hoje em dia com a ajuda de todo um séquito de estilistas, publicitários, cabelereiros… Restart, sabe? Mas eles não são os únicos, claro. E pensar que o famoso corte de cabelo de John, Paul, George e Ringo foi feito pela namorada do quinto Beatle, Stuart Sutcliffe, – que desistiu da carreira de músico pouco antes da banda estourar.

Com os punks, a forma de se vestir e o “estilo” tomaram uma nova proporção. A moda saiu dos palcos e tomou as ruas. Eles usavam as roupas e cabelo para se afirmar e se diferenciar do restante da sociedade. Na década de 90, outro estilo que veio do meio musical fez os estilistas repensarem suas coleções. O grounge surgiu como um movimento alternativo, mas bandas como o Nirvana e Pearl Jam fizeram as camisas de flanela virarem um acessório descolado – e tem estilista se inspirando neles até hoje.

Sem mencionar o glam rock, o rock psicodélico,o folk… Vestuário, atitude e acordes andam sempre juntos. Seria muita ingenuidade dizer que antigamente não havia investimento nessa área por parte de produtores ou agentes, mas o que antes surgia de forma involuntária a partir do gosto individual dos integrantes de uma banda, passou a ser usado como estratégia de marketing – e ela vai muito além dos neo-punks, emos e muiticoloridos que desfilam pelos palcos hoje em dia. A influência das gravadoras pode ser menos escancarada, mas não por isso invisível. Para exemplificar, escolhi o Kings of Leon. (Podia ter escolhido o Coldplay, que tem um guarda-roupa para cada CD lançado, mas eles são tão 2001, né?)

Os Kings já declararam que usavam barba no início da carreira porque alguém na gravadora disse que eles eram muito bonitos – e, portanto, iam se aproveitar desse detalhe para promover o álbum. Barba e bigode era uma forma de atrapalhar os planos publicitários, mas se tornou uma ótima forma de diferenciá-los das outras bandas. As blusas curtas e calças de boca de sino chamaram tanta atenção quanto a música. Nos clipes, é fácil fazer uma associação com a década de 80. Mas, com o passar da carreira, foram ficando cada vez mais comportados.

A banda tem 5 álbuns e nas fotos de divulgação de cada um, podemos ver como o estilo mudou para ficar mais parecido com as músicas que estavam sendo lançadas.

Youth and Young Manhood (2003)
O disco cru, que mistura rock de garagem, country e uma linha de baixo com influências do punk, lhes rendeu a fama de “Strokes do sul”. Para combinar, um visual à la Ramones versão século XXI. Música que melhor representa esse período: Molly Chambers.

Aha Shake Heartbreak (2004-2005)
Depois do segundo disco os meninos do KOL já abriam shows do U2, Pearl Jam e Bob Dylan e os riffs de guitarra eram muito mais adequados para tocar para grandes públicos. Tinham uma legião de fãs e o ar de caipiras logo desapareceu para dar lugar à homens do mundo. Dessa época surgiu King of the Rodeo. As influências do country e blue grass do Tennessee ainda estavam presentes, mas com outra roupagem – literalmente.

Because of The Times (2007)
Aqui as influências do Tennesse ficaram bem longes. Eles estavam em outra. Muito mais experimentais e, o que é interessante sobre o KOL, menos acessíveis. Esse álbum é o caminho inverso que qualquer banda seguiria depois do sucesso dos dois primeiros CDs. O fato do vocalista ter a cara de Leonardo DiCaprio deve ter facilitado a divulgação para a gravadora. A música que melhor representa um álbum que não garantiu nenhum coro nos shows é Charmer.

Only by the Night (2008)
Esse CD foi a apoteose do sucesso deles. Sex on FireUse Somebody  são as músicas para serem cantadas nos shows e garantir que a multidão pule e cante junto. Os clipes são uma sucessão de clichês do rock.

 

Come Around Sundown (2010)
No último CD, o KOL voltou às raízes.  Apesar de muito agradável, Back Down South parece uma tentativa forçada de reforçar a fama de garotos do sul.

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