Meio Ambiente: Estourando o champagne

por Jéssica Lauritzen

Famoso no mundo inteiro, o champagne, desenvolvido por Don Perignon, inspira sempre aquele tim-tim de celebração. O espumante – considerado “rei dos vinhos” – é um item muito comum, principalmente, nas refinadas comemorações e festas de fim de ano. Pode-se dizer que é um artigo tão simbólico quanto o imprescindível peru de Natal. Seja em casa, ou nas areias da praia, sempre haverá alguém com uma garrafinha a tira colo esperando pelo tradicional “estourar da rolha”, que causa um verdadeiro frisson.

A rolha de cortiça – e sua estimulante performance explosiva – agrega um valor sentimental àqueles que lamentam sua substituição, cada vez mais crescente, por tampinhas de metal. Talvez tão nostálgico quanto para os enófilos do tempo em que o vinho ainda era armazenado em barricas, até o século XVIII, em um recipiente fabricado com pele de cabra.

Baseada em um estudo da empresa Cairn Environment, sobre o impacto ambiental dos vedantes, a Associação Portuguesa de Cortiça (APCOR) classificou as rolhas feitas deste material como amigas do meio ambiente. Isto porque a produção de uma rolha de cortiça emite para a atmosfera quatro vezes menos CO2 do que a produção de uma cápsula de alumínio (10kg de CO2 por tonelada para as cápsulas de alumínio contrapondo 2,5kg para rolhas de cortiça capsuladas).

Recicláveis e biodegradáveis, os resíduos das rolhas naturais podem ainda serem reutilizados em outros setores industriais, entre eles: na confecção de painéis para revestimentos, artigos decorativos, peças artísticas, solas para sapatos, produtos farmacêuticos, além de servir como auxiliar na geração de energia elétrica.

É claro que se tratando de reciclagem, as roscas metálicas também não ficam para trás. Suas vantagens sobre a cortiça passam, principalmente, pelo custo – já que o metal é mais barato –, por permitir um “efeito cápsula”, evitando a entrada de oxigênio que poderia alterar o sabor do vinho, além de reduzirem o possível risco de contaminação por fungos.

Isso significa que o debate entre os defensores das velhas e simpáticas rolhas de cortiça e os adeptos das modernas screw-caps (tampas metálicas de rosquear) permanecerá ainda instigante pelos próximos anos. Para o consumidor, a escolha pode seguir, simplesmente, uma questão de gosto, de praticidade, ou de uma romântica nostalgia pelos costumes que atravessaram o tempo.

2 thoughts on “Meio Ambiente: Estourando o champagne

  1. Quando sugeri o tema, fiquei imaginando como ele poderia ser abordado sob os diferentes ângulos do Blog. Imaginei como seria a abordagem da relação champagne e meio ambiente e fiquei com uma grande expectativa. O Artigo não deixou a desejar. Parabéns !

    • Olá, Natacha! De fato, temos um desafio a cada semana, em maior ou menor grau, de acordo com a editoria. Mas sempre instigante e proveitoso para as comunicólogas de plantão, rs. Obrigada pelo tema e pelo incentivo =) Um beijo

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