Música: Bebendo de outras fontes

Até pouco tempo champanhe era sinônimo de França. Apesar de serem os únicos que podem chamar o vinho com borbulhas com esse nome (não se enganem, qualquer outro “champagne” produzido fora da região de Champagne, no nordeste da França, é só espumante), outras áreas produtoras ganham cada vez mais consumidores e prestígio.

Algo parecido acontece com a música francesa. Uma vez famosa por sua chanson e casa de ícones como Serge Gainsbourg e Édith Piaf, a música francesa globalizou. Não que bandas de outros países tenham adotado o francês, pelo contrário. As bandas francesas recorrem cada vez mais ao inglês e a ritmos e estilos diferentes do que fizeram sucesso naquela terra que cantava “non, je regrette rien”.

Abaixo, uma lista de cinco bandas e artistas franceses – ou quase.

Ben l’oncle Soul

Benjamin Duterde, nascido em Tours, França, poderia se passar facilmente por um americano. Da década de 60, é bom frisar. No nome artístico já é possível entender as influências. Ben l’oncle Soul faz referência ao arroz “Uncle Ben’s” – um dos ícones da cultura americana – e o soul é o estilo que dá o tom ao seu trabalho.

Em Soulman, Ben coloca toda a levada do soul, com óbvias referências à Motown, mas sem perder o sotaque francês. Por isso, ganha três garrafas de champagne no nosso ranking de música “francesa”.

Bensé

Julien Bensenior, nascido em Nice, França, talvez seja o mais francês dessa lista. Não é um típico caso de chanson française, mas as baladinhas acompanhadas de violão são o suficiente para que ele não destoe muito do que é produzido por lá, sem cair na breguice que costuma assolar a música pop produzida na terra de Sarkozy. Ganha quatro garrafinhas. Hip Hip!

Carla Bruni

Por falar em Sarkozy, não poderia deixar de mencionar a primeira dama. Sim, ela é um ótimo exemplo de chanson française – ouçam aqui. Moderna e tradicional ao mesmo tempo. O único problema é que ela não é francesa. Ainda assim, ganha 5. Tim tim!

Été 67

Tem alguma coisa na água da Bélgica que produz bons músicos. O bairro distante de Paris foi berço de Jacques Brel e agora exporta o quinteto Été 67, uma referência ao verão de 67, quando aconteceu uma série de protestos nos EUA contra a Guerra do Vietnã. Eles fazem rock, na medida no possível. Tenho uma teoria de que francês e rock não funcionam, mas isso fica para um próximo post. Depois de duas garrafas a teoria não faria mais sentido.

Revolver

Esse são franceses, mas escolheram o inglês para cantar. O quarteto faz pop de chambre (pop de quarto, numa tradução literal) – uma referência ao estilo de música criado no mid-60′s que misturava elementos de música clássica (barroca) e rock’n’roll. Essa ligação com a música “de chambre” clássica já fez com eles fossem associados à Bach – com uma mistura de Beach Boys, Beatles, Simon e Garfunkel e Eliott Smith para justificar o “pop”. O trio ganha quatro garrafinhas.

Coeur de Pirate

Beatrice Martin, uma canadense de Quebec, escolheu o nome Coeur de pirate para se apresentar. A voz fina pode ser um pouco irritante, mas combina perfeitamente com o indie pop que ela faz. Ela só tem um CD, mas a moça já está em estúdio e em breve poderemos conferir a continuação do álbum que lançou quando tinha apenas 19 anos e que já mostrava sua virtuosidade no piano. Três garrafas pela boa música!

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