Domingo: O irresistível sabor do champagne

por Léon Harte*, do site InfoVinho 

Ao tentar melhorar a vedação de garrafas de vinho, utilizando cera de abelha, o monge beneditino Pierre Pérignon descobriu, por acaso, o que chamamos hoje de método champenoise (também conhecido como “método tradicional”). O açúcar contido na cera de abelha iniciou uma segunda fermentação nas garrafas, fazendo-as explodir.

Com o tempo, as técnicas para evitar que as garrafas explodissem e a utilização da rolha de cortiça, possibilitando uma melhor vedação, fizeram o champagne que conhecemos. Para receber este nome, o espumante tem que ser elaborado na região francesa de Champagne e ser produzido a partir do método champenoise, somente com as seguintes uvas: Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier. A partir delas, o champagne pode ser:

  • Blanc de Blancs: É o champagne branco elaborado apenas com uvas brancas, da variedade Chardonnay.
  • Blanc de Noirs: É o champagne branco elaborado apenas com uvas tintas, Pinot Noir e Pinot Meunier, podendo utilizar apenas uma ou misturá-las.
  • Rosé: O champagne rosé é uma categoria nobre, alcançando preços até maiores que os brancos. Pode ser feito a partir da mistura de vinho branco e tinto. Champagne é uma das poucas denominações que permite fazer rosé dessa forma.

São muitas as marcas disponíveis no mercado. As mais conhecidas são a Veuve Clicquot e a Moët & Chandon, mas outras têm se destacado. A Canard-Duchêne, por exemplo, vem de uma menor produção com qualidade excepcional.

O apito e a colheita de Champagne

A colheita em Champagne é mundialmente conhecida e qualquer pessoa pode se alistar para participar. Ganha-se algo em torno de €500,00 por 10 dias de trabalho (8 horas por dia) ou por quilo de uva colhida. No segundo caso, a remuneração pode até triplicar.

O trabalho funciona da seguinte maneira: montam-se equipes e o líder de cada uma utiliza um apito. Assim que este apita, todos devem se abaixar (pois as videiras são baixas) e começar a colheita, porém só podem se levantar quando o líder soprar o apito novamente. Sim, lembra o exército, não é mesmo?

 As últimas novidades

Este ano, algo curioso está acontecendo. As férias dos produtores de Champagne serão antecipadas e breves. As videiras não poderão esperar pela tradicional pausa de agosto – quando as ruas ficam desertas e as cidades abandonadas. No período em que os agricultores costumam descansar, depois de um ano inteiro de trabalho, cabe às uvas apenas crescer e produzir belas safras. Mas, pela primeira vez na História, as previsões dos especialistas indicam que a colheita acontecerá justamente nesta época.

As estimativas são para o dia 25 de agosto. Nem mesmo em 2003, ano da famosa canícula que antecipou as colheitas de uvas em boa parte da Europa, a data foi tão prematura. Naquele ano, chegou-se a imaginar que os trabalhos começariam nos últimos dias de agosto, mas as fortes chuvas que sucederam o calorão adiaram a colheita para 3 de setembro. Este ainda é o recorde da região.

Anos como o de 2003 costumam render boas safras. A recuperação das vendas pode culminar com a safra de um novo millésime – como são chamados os anos excepcionais que ganham registro nos rótulos. Os produtores, contudo, preferem não comemorar antes da hora. Da última fez que fizeram isso, uma chuvarada nos dias decisivos para o desenvolvimento final das vinhas acabou levando embora todas as suas esperanças.

Alternativas mais baratas

Enquanto as boas notícias em Champagne não se confirmam, uma alternativa é consumir espumantes de outras regiões. Essa solução também é boa para o bolso já que o champagne é uma bebida de custo alto devido aos impostos e à longa distância.

O método champenoise é muito utilizado no Brasil, que produz excelentes espumantes a um preço mais acessível. Podemos citar o Cave Geise, premiado 5 vezes na França, sendo 4 consecutivas, e o Familia Borges Brut. Se hoje ainda é difícil encontrar vinhos tintos nacionais com uma boa relação “preço-qualidade”, a realidade é bem diferente com os espumantes

De fácil harmonização e próprio para os dias mais quentes, o espumante é o único tipo de vinho que pode ser harmonizado do início ao fim de uma refeição, da entrada à sobremesa. Assim, cada vez mais, esse tipo de bebida ganha a preferência entre os consumidores de vinho.

*  Formado pela Escola Argentina de Sommeliers (E.A.S), Léon Harte atua como sommelier do Bistrô Villarino, presta consultoria para restaurantes como o Espírito Santa e Cafecito Café, além de realizar palestras, cursos e jantares harmonizados. No site InfoVinho esclarece as dúvidas dos leitores e fala sobre a cultura vinífera em 41 países.

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