Pague o que puder

Uma das maiores dificuldades em fazer um filme é conseguir financiá-lo. Porém, encontrar investidores pode ser mais fácil a partir de sites que incentivam o crowdfunding (crowd = multidão; funding = fundo). A proposta tem quase o mesmo objetivo de uma vaquinha ,já que cada pessoa doa o que puder para financiar uma obra. A diferença é que a internet torna o esquema mais organizado e transparente.

Há um cuidado para que ninguém gaste à toa. Quem se dispôs a pagar determinada quantia só terá o valor debitado caso a cota total para o projeto seja atingida.  A ideia é que o colaborador seja recompensado de alguma forma. É como se ele se tornasse sócio da empreitada.

Aqui no Rio, esse tipo de prática é comum para custear shows de artistas internacionais mais independentes. Com esse propósito, o grupo Queremos talvez seja o de maior destaque na cidade. Foram eles que trouxeram, por exemplo, a apresentação do LCD Soundsystem no início do ano.

Produções audiovisuais que buscam o crowdfunding podem ser vistas em portais como o Movere.me o Incentivador  e o Catarse. Normalmente, a maioria dos idealizadores pede auxílio para a finalização. Foi este o caso da cineasta Eliza Capai.

Em 2010, Eliza  viajou pela África com a intenção de estudar o papel da mulher no continente. Ao longo do caminho, ela rodou o documentário intitulado provisoriamente de Africanas. Como foram mais de 40 horas de filmagem, a cineasta resolveu  fazer uma página no Movere.me a fim de obter os R$ 25mil necessários para um primeiro corte.

A iniciativa foi um sucesso e a verba desejada foi captada antes mesmo do prazo estipulado pelo site, que seria hoje. As pessoas que já se sentem bem em saber que estão colaborando com algo que apreciam, ficam ainda mais felizes com as recompensas prometidas. Eliza Capai chegou a oferecer até um pacote de três diárias para uma viagem à  Spinguera, em Cabo Verde, a quem ajudasse com mais de R$ 1.500.

Infelizmente, as plataformas de financiamento coletivo não dão a garantia de bom retorno. Esse pode ser o caso da ficção Des., dirigida por Igor Bonatto, cuja proposta era explorar  o mundo da moda a partir da história de duas modelos. O filme contaria com uma equipe experiente com nomes como Daniel Rezende, montador de Cidade de Deus, e Antonio Pinto, compositor da trilha de Central do Brasil. O figurino ficaria a cargo de Alexandre Herchcovitch.

Apesar da presença desses profissionais, até o fechamento desse post, Des. estava longe de conseguir os R$ 50mil necessários para a sua pré-produção. Mais de R$ 45mil ainda precisariam ser recebidos e o tempo é curto. No site catarse.me, o prazo se encerra hoje.  E a página oficial do filme ainda aceita doações até o dia 23.

Se você se interessar pelo projeto de Bonatto, é bom correr. Saiba também que os possíveis prêmios aos doadores podem ser bem luxuosos. Quem desembolsar acima de R$100 ganha um par de ingressos para o desfile de Herchcovitch na São Paulo Fashion Week, em janeiro de 2012. As mais generosas, que possam contribuir com quantias superiores a R$ 15mil, ganham um vestido sob medida feito pelo estilista paulista.

Mesmo que o crowdfunding não seja a solução para o cinema brasileiro ou para a indústria cultural, esse tipo de fundo reúne muitos atrativos. O principal deles é aumentar a proximidade entre a obra e o público. Além de espectador, você se torna também um colaborador.

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