Música: O futuro é medieval


London calling to the faraway towns

Londres convoca as cidades distantes

Now that war is declared and battle come down

Agora que a Guerra está declarada e a batalha se inicia

No início da década de 70 o mundo enfrentava a primeira crise do petróleo. O barril do ouro negro chegava a exorbitantes 12 dólares (sim, você leu doze dólares) e vários países tiveram que adotar medidas de arrocho econômico, que ajudavam a acentuar as diferenças sociais e raciais. Por conta disso, a Inglaterra e os EUA tiveram que lidar com muitas revoltas internas. Nesse contexto, surgiu o movimento punk.

Engines stop running but I have no fear

Máquinas param de funcionar, mas eu não tenho medo

London calling upon the zombies of death

Londres chama os zumbis da morte

Quit holding out and draw another breath

Agarre-se e tire outro suspiro

As músicas simples, rápidas e agressivas flertavam com ideias anarquistas, niilistas e revolucionárias. As letras muitas vezes falavam sobre problemas políticos e sociais como o desemprego, a guerra e a violência. O The Clash foi um dos principais representantes desse movimento. Canções como London Calling traduziam com precisão a realidade da época.

London calling see we ain’t got no highs

Londres chama, veja nós não temos superiores

Except for that one with the yellowy eyes

Exceto por aquela com os olhos amarelos

Não foi de se estranhar a surpresa dos ingleses quando música foi anunciada como tema oficial dos Jogos Olímpicos de Londres de 2012.

Engines stop running and the wheat is growing thin

Máquinas param e o trigo está crescendo fino

A nuclear error but I have no fear

Um erro nuclear, mas eu não tenho medo

Como foi destacado num artigo do jornal El País, “com certeza, muito dos jovens encapuzados que saqueiam e assaltam lojas em Londres e outras cidades do país nunca escutaram The Clash […], [mas] é como se os textos de Joe Strummer ganhassem vida mais de 30 anos depois que London Calling fez com que o The Clash não só se tornasse uma referência musical, mas também ideológica”.

Ironias do destino, a história gosta de se repetir. Assim como Margareth Thatcher, o primeiro ministro inglês, David Cameron, escolheu repassar para a população os impactos da crise. O resultado: centenas de jovens saíram às ruas para protestar. Verdade seja dita, eles corresponderam ao estigma de juventude zumbi. Sem nenhuma causa declarada, queimaram edifícios, depredaram veículos e provocaram tumulto e pânico. London Calling caiu como uma luva.

Vendo a reação dos jovens britânicos e os recentes escândalos de corrupção em Brasília, fico imaginado qual música incitaria a juventude brasileira. Alguma sugestão?

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