Literatura: De cada amor tu herdarás só o cinismo: sobre Rock, Rio e Paixões

por Fabiola Paschoal


O tema da semana é Rock in Rio, mas eu decidi inovar um pouquinho e escrever sobre um livro que trata dos dois assuntos separadamente e com maestria: De cada amor tu herdarás só o cinismo (Ed.Objetiva), do jornalista Arthur Dapieve, que tem o Rio de Janeiro como cenário e é recheado de referências musicais.  Um deles é o título do próprio livro que carrega um dos versos do célebre samba de Cartola, “O mundo é um moinho”. No entanto, as veias roqueiras de Dapieve se fazem muito presentes na narrativa,  tanto que a história começa e termina em um show de rock. Confesso que o fato de este ser um dos meus livros preferidos na vida, influenciou na hora de escolher o assunto da postagem. E como pouco se comenta sobre ele na internet, eu resolvi dar meus pitacos por aqui. Mas ok, divago.

O livro narra a história de Dino, um publicitário já meio decadente, e Adelaide, a estagiária ruiva e linda da agência de publicidade onde ele trabalhava. Apesar de já se conhecerem superficialmente por causa do trabalho, foi durante um show da  banda R.E.Mque eles se aproximaram e, daí para um tórrido caso de amor, foi um pulo. O que dá “liga” ao relacionamento dos dois é, principalmente, a música, tornando tudo muito mais interessante. A princípio, pode parecer banal mas, acredite, não é! Longe de ser uma fábula sobre amores contemporâneos, De cada amor tu herdarás só o cinismo mostra as dificuldades que envolvem uma relação onde as duas partes não perseguem o mesmo objetivo.

Li este livro em um momento muito significativo da vida e, à época, fez muito sentido a paixão avassaladora de Dino por Adelaide, bem como os anseios da moça por liberdade e a dificuldade em se prender a uma só pessoa pelo resto da vida. É inegável o diálogo do enredo com os versos da música que dão nome ao livro, por exemplo, a metáfora que compara o mundo a um moinho, que reduz as ilusões a pó. Uma das lições que aprendi com a obra foi que as coisas mudam de rumo quando menos se espera e é fundamental saber juntar os caquinhos e não deixar que a paixão nos consuma, para o bem ou para o mal.

Enfim, super recomendo o romance de Dapieve para quem, como eu, é apaixonado por música. Para ler escutando rock and roll no talo e, de preferência, com uma caixinha de lenços por perto. Na próxima quinta-feira nos vemos novamente. 😉

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