À prova de rótulos

A sociedade está cheia de rótulos como o da mocinha e o do príncipe encantado. Com o cinema, não é diferente. As comédias românticas são um terreno em que isso é bem evidente. Porém, há como ser original mesmo se utilizando de certos clichês como prova Elvis & Madona, dirigido por Marcelo Laffite.

Como foi mencionado na agenda de domingo, vemos um par romântico bem inusitado: uma lésbica chamada Elvira que atende pelo apelido de Elvis (Simone Spoladore) e o travesti Madona (Igor Cotrim) cujo nome de batismo é Adailton. O reino encantado é substituído por uma Copacabana onde tudo pode acontecer. O filme, que acabou de estrear, já conquistou o público de vários festivais no Brasil e no exterior. De Manaus a Paris, as pessoas tem demonstrado interesse por esse caso de amor.

A temática homossexual é até muito presente na produção audiovisual brasileira. Mesmo em formatos mais conservadores, como as novelas, vemos que há um esforço para trabalhar com esse tema. No entanto, os protagonistas sempre são heterossexuais. Por isso, Elvis & Madona foge ao lugar comum.

Uma das qualidades do longa é a atuação de Simone Spoladore e Igor Contrim. Na pré-estreia realizada na PUC-Rio, na última quarta-feira, Laffite revelou que gostaria que Igor conhecesse na própria pele o universo feminino. Em seu cotidiano, o ator passou a sofrer com depilação, unhas postiças, cuidados com o cabelo etc. O esforço foi válido. Já Simone ganha pontos ao não fazer uma caricatura de uma lésbica.

A trama traz algumas armadilhas para atrapalhar os pombinhos. Afinal, seria sem graça se tudo desse certo desde o início. Uma das intrigas é a presença de João Tripé (Sérgio Bezerra), um bandido de Copacabana com quem Madona teve um caso, e que rouba todo o dinheiro do travesti.

Com o perigo supostamente representado por João Tripé, tenta-se dar ao enredo uma atmosfera mais típica de histórias sobre crime. Contudo, isso não soa convincente. A atuação um tanto canastrona de Sérgio Bezerra também não ajuda a envolver o espectador.

Quando se enfatiza os aspectos de comédia, o poder de conquista é maior. As melhores cenas ocorrem quando Elvis apresenta Madona, ou melhor, Adailton à sua família. Há um almoço hilário na casa dos pais de Elvira- o bondoso Heitor (Buza Ferraz) e a perua Soraya (Maitê Proença). Nos poucos momentos em que aparece, Maitê Proença encontra com facilidade o tom cômico. Só é uma pena que ela seja tão pouco aproveitada.

Ao invés de dar um maior destaque ao núcleo dos parentes de Elvis, Laffite insiste bastante com características do cinema de chanchada. No debate da PUC-Rio, o diretor ressaltou essa influência. Tal escolha de linguagem é até adequada. Todavia, o resultado não é tão engraçado. Algumas tiradas são bobas e até comuns. É como se o público já esperasse pelo que o personagem vai dizer.

Apesar de alguns deslizes, Elvis & Madona é uma boa opção para quem quer assistir a uma comédia romântica mais original. O filme até se utiliza de rótulos bem conhecidos. Madona, por exemplo, é uma típica mocinha. Entretanto, os clichês ganham uma nova roupagem graça ao universo gay. Para quem ficou curioso, assista ao trailer abaixo.

** Uma campanha criada por fãs e amigos do filme “Elvis & Madona” tem circulado no Facebook. Com o brado “Eu quero ver ‘Elvis & Madona’ em todo Brasil”, o evento quer atingir mais de 2000 confirmações até o próximo dia 20/10 (quinta-feira), dia em que os exibidores arranjam os seus horários nas salas de cinema. Curtam a página do Facebook!

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