Literatura: Feios e a crítica à ditadura da beleza

por Fabiola Paschoal


O conceito de distopia pode ser encarado como uma antítese da utopia. Essa filosofia é caracterizada pelo autoritarismo e o totalitarismo, em que o governo controla a sociedade em nome de um “bem comum”. Além disso, a distopia também tem sido uma grande fonte para autores de ficção. Livros que abordam sociedades distópicas não são novidade há muito tempo. Para citar os mais famosos, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell, tiveram o assunto como tema. Li ambos há alguns anos e acredito que muita gente os conheça. Portanto, para a coluna desta semana, escolhi falar sobre um título que pode ser considerado uma “cria” dos romances de Huxley e Orwell: Feios, de Scott Westerfeld (Galera Record).

No universo do livro existe uma sociedade muito parecida com a nossa, mas, ao mesmo tempo, exceto por um detalhe: todos têm a aparência simplesmente perfeita. Porém esta perfeição não é algo natural, e sim obtida artificialmente: todas as pessoas, ao completar dezesseis anos, devem passar por uma cirurgia reparadora que as transformará de “feios” em “perfeitos” e abrirá as portas para um novo mundo. Para os governantes desta sociedade distópica, um mundo como o nosso, onde há pessoas bonitas, feias, gordas ou magras, é um mundo injusto, já que as pessoas julgam umas as outras pela aparência e aquelas consideradas mais bonitas tendem a levar vantagem. Então, no mundo idealizado por Westerfeld, as pessoas não podem ser rotuladas porque são todas iguais.

Não são todos, porém, que desejam ser consertados: alguns simplesmente estão felizes com sua condição de “feios” e se recusam a passar pela operação que iria mudar suas vidas. E é a partir daí que o enredo começa a ficar muito interessante. A personagem principal, Tally Youngblood, sonhava com o dia em que se tornaria perfeita. Mas quando sua amiga Shay resolve fugir, antes de completar 16 anos, para um lugar onde os “rebeldes” se escondiam e viviam à margem da “sociedade perfeita”, ela começa a perceber que as coisas não são exatamente como ela sempre acreditou que fossem. A trama se desenrola e Tally se vê envolvida em uma série de conspirações que a fazem pensar que talvez aquele mundo não fosse tão perfeito assim.

A obra claramente é uma crítica ao culto à beleza que vivemos hoje. Para o autor do livro, “a beleza é o parâmetro definitivo da nossa sociedade”, e a série Feios é uma tentativa de combater esse preconceito, principalmente, se levarmos em conta que o público-alvo são os jovens, que vivenciam de perto essa supervalorização da aparência, e muitas vezes sofrem por não se adequar ao padrão. A história faz o leitor refletir sobre a ditadura da beleza e sobre a importância de mantermos nossa individualidade. Afinal de contas, rótulos como “feio” e “belo”querem dizer muito pouca coisa quando se tem personalidade de sobra!

E você, o que pensa disso tudo? Conta para mim nos comentários. 😉

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2 thoughts on “Literatura: Feios e a crítica à ditadura da beleza

  1. Gostei muito. Acredito que as pessoas tem muito mais a oferecer além da beleza. Há pessoas que dizem gostar de namorar feios, pois eles tem que se esforçar mais para agradar. Eu acho que como os feios sabem o que são eles não precisam se preocupar com o que está “fora do lugar”, eles vivenciam, eles curtem o momento, se divertem mais. Nossos grandes humoristas são feios, eles são de bem com a vida. Essa loucura que é a “corrida pela beleza” é escravizante.

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