Literatura: Herói que mata – Dexter e o mito do serial-killer bonzinho

Quando eu soube que o tema da semana seria “vermelho”, não tive dúvidas do assunto sobre o qual eu escreveria por aqui: Dexter, o serial-killer mais charmoso da literatura! O que ele tem a ver com vermelho? Bem, além de trabalhar como analista forense de borrifos de sangue, ele é um assassino em série. Quer mais? Ele guarda como recordação uma gota de sangue de cada uma de suas vítimas em uma caixinha de memórias macabra. Mais vermelho, impossível.

Livros da minha coleção. :)

Muita gente já deve conhecer a aclamada série de TV homônima, em que o personagem-título é interpretado com maestria por Michael C. Hall. Porém, nem todo mundo sabe que Dexter é baseado na série de Jeff Lindsay, que já conta com cinco livros publicados no Brasil. Para quem está boiando, eu explico. Dexter Morgan é um psicopata e, como tal,  sente prazer em matar pessoas, não tem consciência ou piedade. Porém, ele é um serial-killer diferente.

Ao contrário de outros personagens da literatura e do cinema (e, por que não, da vida real!), Dexter mata apenas serial-killers. Tudo isso por causa de um “código de honra” que seu pai ensinara para ele quando percebeu a natureza do filho, e que ele segue respeitando. O tal código basicamente o proíbe de matar alguém sem ter provas de que a vítima é um assassino. O código também enfatiza a necessidade de nunca ser pego, tornando Dexter um assassino criativo e minucioso, que toma todos os cuidados necessários, incluindo “encapar” suas cenas do crime com plástico e jogar os corpos no oceano. Por trabalhar na polícia e ter acesso a ferramentas, programas e dados que os “assassinos comuns” não teriam, Dexter dificilmente comete erros, executando seu hobby sombrio com perfeição.

Além de um enredo original, o que faz a série valer a pena é que os livros são muito bem construídos. O personagem-título é deliciosamente irônico, o que me arranca vários sorrisos durante a leitura. Além disso, todas as outras personagens são marcantes, de alguma maneira (exceto, talvez, Rita, a esposa chata, mas até ela é necessária à trama). Me identifico particularmente com Deborah Morgan, a detetive desbocada e irmã de Dexter, que reage às adversidades da vida proferindo mil palavrões.

A série Dexter é muito peculiar, e por isso mesmo vale a pena ser lida. Para início de conversa, o “mocinho” do livro é um assassino, e a personalidade criada por Lindsay é tão cativante que o leitor realmente torce por Dexter, mesmo ele sendo um psicopata sem coração. Talvez haja na sociedade um sentimento de “olho por olho, dente por dente” que nos faça aceitar o assassinato de pessoas quando estas são assassinos cruéis. Em outras palavras, pode ser que a sociedade seja favorável à pena de morte em caso de crimes hediondos, mas tem medo ou vergonha de admitir. Quem sabe, como na música dos Heróis da Resistência que eu desenterrei no título do post, Dexter não seja nem pirata, nem herói que mata, mas um misto disso tudo, um assassino atípico, com um jeitão de ser que nos cativa e torna impossível não sentir uma pontada de simpatia pelo personagem.

Mas, não pense que, se você já viu a série, não precisa ler os livros! Diferentemente do que costuma acontecer em adaptações, as histórias desenvolvidas no seriado e nos livros não tem quase nada em comum! O primeiro livro, Dexter: A mão esquerda de Deus, segue o enredo da primeira temporada, mas o desfecho é diferente e, a partir do segundo livro, tudo muda! As tramas são outras, alguns personagens que morrem na série continuam vivos nos livros e vice-versa, enfim, são obras completamente distintas.

O próprio Dexter dos livros é bem diferente do que recriaram na série. Para ganhar empatia do público, o Dexter do seriado é bem mais “humano” e “bonzinho”, chega a se arrepender de seus atos em alguns momentos raros, e pode-se até pensar que ele é capaz de desenvolver sentimentos, o que não acontece em momento algum do livro. Eu sou uma manteiga-derretida e confesso que prefiro o “Dexter fofinho” da série, mas sem dúvida o Dexter criado por Jeff Lindsay é mais engraçado.

Enfim, recomendo todos os livros para aqueles que gostam de heróis fora do comum, e de histórias de suspense com um pé no humor. Aqui no Brasil já foram publicados Dexter, a mão esquerda de Deus; Querido e devotado Dexter; Dexter no escuro; Dexter, design de um assassino e Dexter é delicioso, que foi lançado recentemente. Eu acabei de ler no último domingo e adorei, o livro é de um humor negro fantástico! =D Destes, o mais fraquinho é Dexter no Escuro,contudo, vale ler na ordem de lançamento para evitar spoilers.

Só para dar um gostinho, a abertura da série, que é sensacional!

Você já leu algum livro da série Dexter? Assiste ao seriado? Conta para mim nos comentários! ;D

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5 thoughts on “Literatura: Herói que mata – Dexter e o mito do serial-killer bonzinho

  1. Eu também! É uma das poucas que eu não dou skip! (e a de friends, pq eu sou doente e canto junto hahaha)

    Cara, leia os livros, são muuito legais, e bem diferentes de tudo o que eu estava acostumada a ler.

    Fabiola

    • Não é jogada de marketing! É fantástico, acho muito legal. Se puder, leia sim. 🙂
      Mas tem que relevar os errinhos de tradução/revisão pq a editora peca nesse ponto, infelizmente.

  2. Pingback: Literatura: Os Dez Mais de 2011 «

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