Meio Ambiente: Do Zé Pereira ao folião mijão

Fraques, cartolas, lanternas e bonecos gigantes eram os adereços típicos do bloco que deu origem ao Zé Pereira Clube dos Lacaios, em Ouro Preto (MG). Criado em 1846 pelo comerciante português José Nogueira de Azevedo Paredes, o Zé Pereira inaugurou o estilo hoje conhecido como “bloco de sujo” e caracteriza a bagunça ou brincadeira abre alas para o entrudo ou Carnaval.

Com menos pompa do que o tradicional Zé Pereira daquela época e de algumas regiões do país, na folia carioca, a população fantasiada ou “descamisada” usa trajes leves para que possa curtir a festa mesmo sob as altas temperaturas do verão. É importante lembrar que consumo de bebida, principalmente alcoólica, aumenta bastante neste período, deixando-os suscetíveis a fazer vergonha e burlar as regras de um bom folião.

Um exemplo disso é a campanha que circula na mídia em torno do “Faça xixi aqui (no banheiro)!”. Apesar de a empreitada funcionar como uma espécie de Pip Dog para o folião “desavisado”, os 15 mil banheiros químicos anunciados pela prefeitura do Rio para este Carnaval ainda não dão conta do episódio fatídico desses dias de festa.

De acordo com o Portal G1, desde o início dos desfiles pré-carnavalescos, 240 “foliões mijões”, entre homens e mulheres, foram encaminhados para a delegacia, sendo 68 deles durante a passagem do tradicional bloco pré-carnavalesco Bola Preta, na última sexta-feira. Quem fiscaliza a passagem dos grupos é a Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop).

Outras campanhas que circulam por aí como “Não brinque com o lixo” e “Mostre para os amigos que você está pegando várias (garrafinhas) e jogando no lugar certo” dão o tom deste Carnaval, chamando a atenção para outro cenário: após a passagem dos 425 blocos que desfilam pelas ruas da cidade do Rio, quem entra em cena pelas ruas e na Passarela do Samba é a tropa da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), que chega para avaliar os estragos típicos de um evento desse porte. A limpeza fica por conta também dos catadores que recolhem toneladas de materiais recicláveis.

Com samba na ponta do pé e na ponta da língua, esses profissionais se reúnem no Bloco da Comlurb que existe há nove anos e se apresenta desde 2008 como parte do projeto Onda Limpa. Eles fazem campanha nas praias e locais mais movimentados nesta época do ano, orientando com instrumentos de percussão o bom e velho ditame “jogue o lixo no lixo”.

Mérito desta campanha – ou não –, alguma mudança já surte efeito. Parece que, nesta edição, o Rio que atingiu o nível recorde de cerca de 850 toneladas de lixo durante os cinco dias de Carnaval no ano passado – provenientes, especialmente, do sambódromo –, já pode respirar mais aliviado, pois a Comlurb avaliou uma redução de quase 20% no saldo do lixo acumulado durante a preparação para o Carnaval, destacando a boa atuação do (bloco) Suvaco do Cristo, do Jardim Botânico, na limpeza urbana.

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