Meio Ambiente: 2012 – Porque prevenir ainda é melhor do que remediar

Imagine a cena:

“Previsões apocalípticas. Teorias da conspiração. Tragédias. De onde elas vêm? A quem prejudicam? Dezembro de dois mil e doze. Os homens temiam, mas não acreditavam: que o mundo realmente poderia chegar ao fim. Respire fundo, acomode-se no sofá e assista. O personagem das cenas que vamos mostrar agora pode ser você; seu pai; sua mãe; seu vizinho. Protagonistas de um momento que nenhum de nós conseguirá esquecer.”

Esta é uma mensagem fictícia do que seria uma chamada à la ‘Globo Repórter’, com Sérgio Chapelin anunciando o Fim do Mundo para 21 de dezembro de 2012.

Sustentando a interpretação disseminada por aí sobre a antiga profecia baseada no fim do Calendário da antiga civilização Maia, este site contabiliza que, faltam “268 dias para Dias Restantes”.  Se pararmos para pensar, por que temas mórbidos ou distópicos como estes causam tanto interesse e fascínio, principalmente, na cultura ocidental, com um misto de medo e prazer (ainda que inconsciente) em presenciar o aguardado Fim dos Tempos?

Traçando um panorama de interesses (afinal, um possível “fim do mundo” também é negócio!) sobre como alguns segmentos da sociedade aproveitam esta nova contagem regressiva que movimenta estudos místicos no mundo inteiro, temos um exemplo de:

Como cristãos reagem: Temerosos e crentes, redimem-se dos pecados e se preparam para a volta do Divino. Encaram o “evento apocalíptico” como uma possibilidade de renascimento da humanidade, que se espera mais justa.

Como turismólogos reagem: Aumento do turismo na região onde estão localizadas as ruínas ou sítios arqueológicos maias.

Como jornalistas reagem: (Dezembro/2012: pescoção integral/plantão) “Todas as informações sobre o Fim do Mundo você acompanha aqui: online – on time – full time!  Não perca nem um minuto; nós voltamos já!”

Como publicitários reagem: Trouxeram ao mercado brasileiro o desodorante Axe 2012 – Final Edition (Edição Final) para “conquistar todas as garotas antes que o mundo acabe”.

Como cineastas reagem: Lançaram o filme-catástrofe “2012”, que usa o calendário maia e outras profecias para retratar o fim do mundo. O longa arrecadou 230,4 milhões de dólares, em todo o mundo, no seu fim de semana de estreia.

Como a população precavida reage: garantem reservas em locais seguros (se possível subterrâneos) e estocam água e alimentos. Veja, por exemplo, como uma família britânica se prepara para uma grande labareda solar que deve atingir a Terra este ano.

Como ambientalistas reagem: Em defesa do planeta, filie-se aqui. Cuide da sua “casa”, antes que seja tarde demais.

As causas deste evento já profetizado também pelo profeta Nostradamus (que, inclusive, rendeu o documentário “Nostradamus 2012”), para o primeiro período do século XXI, convergem inevitavelmente para as catástrofes ambientais e, em seguida, para a possível parcela de culpa das atividades humanas neste cenário. A dúvida é se calamidades como tsunamis, tremores de terras e diversos outros desastres naturais já ocorridos ou anunciados seriam, de fato, inevitáveis como parte do curso normal do ecossistema terrestre; ou se representariam uma reação “vingativa” da natureza que mostra a sua fúria para castigar os ambiciosos e (de)predadores homens modernos.

Há quem diga que o noticiado aquecimento global é uma mentira, calúnia, conversa. O cientista político dinamarquês Bjorn Lomborg foi um deles. Dissidente de uma ONG ambientalista, após publicar seu primeiro bestseller (“O ambientalista cético”) atestando “a grande farsa do aquecimento global”, o polêmico autor repensou alguns pontos, recentemente, e achou mais precavido não esquecer o “verde”.

Seja como for, o aquecimento do planeta é um fenômeno natural e importante para a manutenção da vida na Terra e estudos científicos podem indicar que houve picos de aumento dessa temperatura de tempos em tempos na história. O superaquecimento global é que causa a discórdia. Enquanto muitos ambientalistas fazem alertas e levantam a bandeira da sustentabilidade, cientistas procuram justificar as mudanças climáticas como oriundas predominantemente de processos naturais.

Os astrônomos saem pela tangente ressaltando que os maiores perigos vêm do espaço – na forma de asteróides e outras surpresas cósmicas, por exemplo – assim como foi para os jurássicos há milhões de anos. As recentes explosões e a chegada das tempestades solares quem chegaram à Terra nos últimos dias, divulgadas pela mídia, já causam certo desconforto pela capacidade de atingir equipamentos eletrônicos, causar danos na rede elétrica, além de sistemas de GPS e de satélites.

Por tudo isso, pode-se dizer que o burburinho que se propaga hoje em dia – sobre o fim do mundo – é mais fruto de uma crise econômica, ideológica, religiosa e social, do mundo contemporâneo, do que um verdadeiro estado de alerta. Pois que o mundo findará um dia, é inegável e inevitável, em escalas astronômicas – e não humanas. Mas não precisamos antecipar este fim. Preservar e conservar a “nossa casa” ainda é mandatório por aqui.

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