Música: arte à venda

Final de show, pista vazia, os técnicos de som já estão desmontando o palco. Um aglomerado de fãs se reúne em frente a uma lojinha improvisada que vende camisas e posters da banda. O cartaz custa R$200. WHAT?!? Pois é, não é só o preço do ingresso que pode ser exorbitante. A cena acima se passou no último show do Eric Clapton, no Rio, mas pode se repetir em muitos outros shows mundo a fora. O mercado de posters está aquecido.

Bandas alternativas passaram a investir em artistas igualmente alternativos e produzir cartazes com venda limitada. Resultado: artes inusitadas e design criativo divulgando a apresentação de uma banda voltaram a ser objeto de coleção.

O auge da produção de “gig posters” foi no final da década de 60, quando o período lisérgico rendeu uma série de cartazes dos quais lembramos até hoje, como o de Woodstock, produzido por Arnold Skolnick.

Peter Max, Stanley Mouse e Alton Kelley são outros dos artistas desse período. Os posters da década de 60 misturavam texto e imagens com influências da pop art de Andy Warhol e de dois períodos de rica produção gráfica: a Belle Époque e a Art Noveau.

Na Belle Époque, os artistas estavam começando a descobrir todas as possibilidades da técnica litográfica. Jules Cheret foi o precursor, seguido por Toulouse-Lautrec, Pierre Bonnard e Alphonse Mucha. A Art Noveau surgiu no período de crescimento da importância do rádio e da TV. Os cartazes produzidos nessa época eram afixados nas ruas e, apesar de serem verdadeiras obras de arte, não eram objeto de preservação.

A partir da década de 70 e principalmente após o surgimento da MTV, a TV se tornou o principal meio de comunicação dos artistas com o público e a arte gráfica ficou relegada ou segundo (ou último?) plano. Desse período até anos 00, os posters eram muito simplistas – durante o movimento punk eles eram meros flyers – ou simples fotos dos artistas.

Por alguma razão inexplicável, no entanto, a cultura dos posters voltou à moda. Só o site GigPosters.com reúne mais de 80.000 exemplares para venda. A geração que mal vê a capa dos CDs (diminuídos para caberem na tela do MP3) agora coleciona cartazes que são verdadeiras obras de arte. É para essa tendência que a diretora Merle Becker atentou ao produzir o documentário “American Artifact: The Rise os American Rock Poster”.

O pôster que eu falei no início do post era de Ron Donovan. Ele é só um dos inúmeros artistas que ganham destaque hoje em dia. Confiram uma seleção que eu fiz só com a banda The Black Keys, que divulga cada um dos cartazes da turnê americana no Facebook da banda.

Brad Klausen

Jeff Proctor

Daniel MacAdam

David Welker

 

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