Meio Ambiente: Na Costa do Descobrimento

“Esta terra, Senhor, me parece que será tamanha, que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa; traz ao longo do mar grandes barreiras, e a terra muito cheia de grandes arvoredos; é toda praia muito formosa.”

(trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha)

Era abril de 1500. E o escrivão Pero Vaz de Caminha admirava e encantava-se, perplexo, com a natureza exuberante das terras de Porto Seguro, ilha da Vera Cruz ou ilha de Santa Cruz Cabrália. A história do Descobrimento é uma das marcas desta região que inspirou as primeiras páginas da História e da cultura do Brasil. E, hoje, como estão as terras que fascinaram os portugueses desde naquela época?

O trecho que se estende do município de Una, litoral Sul da Bahia, até Linhares, no Norte do Espírito Santo, é definido pela propaganda turística como Costa do Descobrimento, um conjunto de reservas da Mata Atlântica que, em 1999, foi tombada ou declarada como Sítio do Patrimônio Natural Mundial, pela Unesco.

Há mais de 500 anos, o local recebe a visita de diversos desbravadores – hoje, turistas – e foi palco da formação do território brasileiro. Por seu histórico de devastação (sendo explorada desde o período colonial devido à extração do Pau-Brasil e o cultivo de monoculturas), a Mata Atlântica está entre as florestas tropicais mais ameaçadas do mundo. Do Rio Grande do Sul ao Piauí, sua faixa atravessa 17 estados brasileiros. Cerca de 93% da cobertura verde original já foi destruída, assim como parte importante da rica biodiversidade que esse ecossistema abriga.

A área mais preservada, na região Nordeste do país, inclui justamente as Reservas da Costa do Descobrimento, na Bahia a e no Espírito Santo. A porção compreende 8 Unidades de Conservação (UCs): as Reservas Biológicas de Una e Sooretama; as Reserva Particular do Patrimônio Natural  (RPPN) do Pau Brasil, Vera Cruz e Linhares; os Parques Nacionais do Pau Brasil, Monte Pascoal e do Descobrimento.

E, vejam só, como empreendimentos imobiliários pegam carona nas riquezas ecológicas desta terra. O paraíso está sendo loteado, desde 1997, em um projeto da Construtora Luchi Ramos para atender a demanda de lotes residenciais na praia da Coroa Vermelha, umas das principais da região. O “Paraíso do Descobrimento” promete qualidade de vida aliada à preservação ambiental, sem abrir mão das comodidades da vida moderna”.
(http://paraisododescobrimento.com.br/home/projeto-urbanistico/)

O empreendimento é definido como o primeiro loteamento sustentável da Costa do Descobrimento: “Os moradores dão sua contribuição com o verde ao criarem hortas e pomares nos quintais e usarem cercas vivas em suas casas. Não raro, recebem visitas de animais silvestres como saguis, tucanos, beija-flores, borboletas exóticas, entre outras espécies nativas que vivem livremente no cinturão verde de Mata Atlântica nativa que compreende o entorno do empreendimento”, diz o anúncio.

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