Música: Little Broken Hearts

Era uma parceria que tinha tudo para dar certo. Dois artistas bem diferentes e com ótimos trabalhos no currículo se reúnem para produzir um disco. O resultado… bem, não foi lá tão surpreendente. No novo CD de Norah Jones, Little Broken Hearts, produzido por Danger Mouse, a impressão que eu tive foi que a mão de Danger Mouse pesou demais, apagando o estilo (ou falta dele) de Jones.

Danger Mouse, codinome de Brian Burton, entrou para a lista dos produtores mais requisitados do mundo da música depois dos acertados trabalhos com Damon Albarn (para o CD Demon Days, do Gorillaz), Cee Loo Green (com quem lançou a Gnarls Barkley) e The Black Keys (com o ótimo El Camino), entre outros. A principal influência de Mouse é o hip hop, mas seu diferencial é conseguir associá-lo a outros estilos. O trabalho que o colocou sob os holofotes foi o CD The Grey Album, “grey” (cinza, em inglês) porque ele mixou músicas do The Black Album, de Jay Z, com o White Album, dos Beatles.

Apesar de considera-lo um ótimo produtor, ele tende a ser responsável por mudanças na sonoridade das bandas. Ele mesmo descreve seu trabalho como se fosse um diretor autor:

“Woody Allen was an auteur: he did his thing, and that particular thing was completely his own,” he said. “That’s what I decided to do with music. I want to create a director’s role within music […] I can create different kinds of musical worlds, but the artist needs the desire to go into that world.” (em entrevista para o New York Times)

Sob a direção de Mouse, o Black Keys “apurou” o estilo, deixando para trás os resquícios de banda de garagem perceptíveis nos primeiros álbuns. Apesar de ser resultado de uma progressão que já podia ser observada em outros CDs, o som mais comercial de El Camino foi consequência da interferência de Mouse. Numa banda com tanta personalidade, no entanto, a interferência de Mouse não significou perda de estilo.

Mas um Danger Mouse produzindo Norah Jones, que apesar de músicas corretas e agradáveis, nunca mostrou um estilo forte (pelo contrário, ela muda a cada CD lançado), faz com que o Little Broken Hearts seja um pastiche de influências. Aprecio a disposição de Norah Jones por se reinventar, no entanto, acho que ela ainda não estava pronta para Danger Mouse.

Mas, sejamos justos, Little Broken Hearts é um CD que cresce em você. Depois de ouvir algumas vezes dá para separar o joio (sintetizador) do trigo (instrumentos de verdade). Aqueles que amam a Norah Jones de Come Away With Me, podem gostar de Good Morning e Travelin’On. Para os que preferem o trabalho mais recente, The Fall, Happy Pill traz a mesma guitarra.

*** Amanda, o tema da semana é outono. O que o novo CD da Norah Jones tem a ver com isso? Nada! Se vocês conseguirem pensar num post sobre outono envolvendo música me digam e eu escrevo semana que vem.

 

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3 thoughts on “Música: Little Broken Hearts

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