“O futuro que queremos”

Pobreza erradicada e natureza protegida. Este é o futuro que queremos. Ou aquele que muitos de nós queremos. Digo isto porque, tratando-se de política, “não se pode agradar a gregos e troianos”. Para ilustrar este dito popular, nada mais evidente que as tentativas de negociação da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, realizada durante nove dias, na última semana. A conferência foi considerada a mais participativa neste âmbito, reunindo 45.381 pessoas no evento oficial.

A taxa de ocupação nos hotéis do Rio de Janeiro, neste período, chegou a 95%. De acordo com os dados divulgados, entre os participantes, estavam mais de cem chefes de Estado e de Governo, cerca de 10 mil delegados de 188 países, 4.075 jornalistas credenciados, 9.856 ONGs e 1.500 voluntários na logística da cúpula; cada grupo com prioridades distintas, apesar do objetivo comum.

Alguns criticaram a “insustentabilidade” do próprio evento: “A comida aqui é insustentável”, ressaltou o fundador do movimento Slow Food na Rio+20. Segundo a Comlurb, 60 toneladas de lixo foram recolhidas no centro de convenções Riocentro e nos principais eventos paralelos, como a Cúpula dos Povos.

Após o término da Conferência e a entrega da carta final, a Rio+20 foi avaliada como um verdadeiro fracasso entre os mais céticos e pessimistas, que não identificam ações concretas no documento proposto. Para os demais, deixou um importante legado, na medida que, assim como sua antecessora, a Eco-92, contribuiu para disseminar a importância da consciência ambiental e as possibilidades de um novo conceito de desenvolvimento para os países. Ainda entre as frases marcantes, podemos destacar a do negociador-chefe do Brasil na Rio+20, André Corrêa do Lago: “O papel da sociedade civil é este, pressionar e mostrar caminhos para os governos”. Aqui reside o valor de termos o povo nas ruas.

E, talvez, os resultados mais aguardados na temática ambiental estejam, de fato, nas mãos de países emergentes, como o Brasil, que estão se reestruturando. Pois, nos diversos fóruns ambientais realizados até este marco, caímos na mesma questão: muito se espera, mas pouco se tem de retorno, principalmente, das nações desenvolvidas nessas negociações, já que têm seus modelos econômicos há muito enraizados e, com frequência, se negam a “pagar” o ônus da proteção do meio ambiente. Como em um jogo, ficamos nesse passa e repassa.

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