O fim dos lixões

Personagem de fundo da novela Avenida Brasil, o lixão cenográfico que enreda a trama mais comentada dos últimos tempos é inspirado no lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias – considerado o maior da América Latina –, que foi desativado, oficialmente, há dois meses, após 34 anos de funcionamento. Não se sabe qual será o último capítulo da novela de horário nobre, mas a área do lixão inspirador do enredo, que se estende por 1,3 milhão de metros quadrados, deve levar cerca de 20 anos para se recuperar da contaminação e dos impactos ambientais sofridos durante a sua vida útil.

Seguindo os mesmos passos, outra região que sofre com danos ecológicos e que está em vias de encerramento é o lixão de Itaóca, em São Gonçalo, que funciona há 40 anos e passa por reformas para ser tornar aterro sanitário. A medida, aliás, está de acordo com uma nova lei federal, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – aprovada após 20 anos de tramitação – que prevê a substituição de todos os lixões do território nacional por aterros sanitários até 2014.

Apesar dos enormes riscos ambientais e à saúde humana, de um lado, catadores e centenas de famílias tiram o sustento desses locais; do outro, a “máfia do lixo” fatura. Isso acontece porque o transporte e descarte do lixo é ainda hoje um grande desafio ecológico e seu comércio – legal ou clandestino – movimenta bilhões (inclusive o lixo tóxico), sendo agente de escândalos desde a década de 1980.

Enquanto isso, segundo dados divulgados pelo portal UOL, o país ainda conta com 2.906 lixões espalhados por 2.810 municípios e são coletados, por dia, cerca de 180 mil toneladas de resíduos sólidos provenientes dos centros urbanos brasileiros. De acordo com o jornalista e ambientalista André Trigueiro, “lixo é assunto de prefeito. É dele a responsabilidade pelo sistema de coleta, transporte e destinação final dos resíduos”. Neste período eleitoral, é interessante dar audiência a este assunto e atentar para as visões políticas dos candidatos, considerando que a questão ambiental ainda é pouco debatida nas propagandas eleitorais.

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