Entrevista com Jonathan Nix

The Missing Key foi exibido no Anima Mundi deste ano e chamou minha atenção. A história nos remete a uma Veneza dos anos 20, onde homens com gramofones e aparelhos telefônicos na cabeça convivem. Nos 30 minutos de filme acompanhamos a história de Hero Wasabi, um jovem músico japonês que vai estudar na cidade italiana. A animação é linda e a história simples, mas cativante, e tem uma linda trilha sonora. Não por acaso, o curta coleciona prêmios ao redor do mundo, entre eles o Inside Film Award de 2011.

Escrito, produzido, dirigido e musicado pelo australiano Jonathan Nix, com a ajuda de uma pequena equipe, The Missing Key levou sete anos para ser finalizado e mais de 20.000 desenhos feitos a lápis. Um trabalho de louco, como descrito pelo próprio Nix.

O filme é um prequel para o primeiro curta de animação produzido por Nix, ‘Hello’, projeto de final de curso do curso de animação da Australian University of Art. Nix também é músico e já cantou e tocou contrabaixo, banjo e guitarra nas bandas The Gadflys, King Curly e Machine Translations.

Conversamos com Jonathan Nix sobre The Missing Key. Confiram e comentem!

Jonathan Nix

O curta tem um visual bem marcante. Qual foi a sua inspiração?

Eu sempre gostei de animações desenhadas à mão. Elas têm um calor e intimidade que muitas vezes são perdidos em filmes com CGI [Computer-generated imagery, tecnologia usada em animações como Procurando Nemo, Shrek e A Era do Gelo]. Nós queríamos que o público visse as linhas de lápis, as pinceladas nos fundos, as idiossincrasias da mão do artista … os erros! Ao mesmo tempo, nós estávamos tentando criar um mundo exuberante e detalhado, no qual o público tivesse vontade de habitar e, idealmente, se relutar a sair.

O filme é um prequel para o meu primeiro curta de aimação, ‘Hello’, que foi meu trabalho de conclusão de curso e conta a história de um homem com um gravador de fita na cabeça que tenta desesperadamente pedir a vizinha, uma mulher atrevida que tem um tocador de CD como cabeça, para sair. Ele busca a orientação de um sábio velho gramofone, “Hero Wasabi”, que lhe indica uma canção adequada.

Eu adorei criar o mundo de “Hello” e, como músico, foi muito divertido escrever o diálogo como uma série de canções e trechos de músicas. “The Missin Key” foi uma oportunidade de retornar ao mundo de personagens com dispositivos de comunicação mecânicos nas cabeças, e embelezá-lo. Desta vez, o foco foi sobre o personagem de ‘Hero Wasabi”, o velho e sábio gramofone, mas desta vez, quando ele ainda era um jovem estudante de música em Veneza, Itália. Sou apaixonado por Veneza há muitos anos, e estava muito interessado em inventar uma oportunidade de criar algo inspirado por ela.

Os personagens se diferenciam de alguma forma de acordo com o tipo de aparelho que eles têm na cabeça. Qual era a ideia por trás disso?

Os dispositivos na cabeça de cada personagem são um indicativo da sua personalidade ou posição social. ‘Morsocodo’ o ​​ladrão, tem a cabeça de um código morse, o método secreto de comunicação se encaixa bem com um ladrão. Cabeças de telefone me pareceram apropriadas para a classe alta, já que as empresas de telecomunicações são, e sempre foram, extremamente lucrativas. A mecânica absurda de ter de colocar dinheiro em sua própria cabeça, discar e depois falar tons de discagem e fluxo de dados parecia ser apropriada para as camadas mais altas da população. A população mais simples, por sua vez, se contenta em ouvir músicas populares tocando sem parar nas suas cabeças.

Enquanto isso, a população todos os dias são felizes recebendo cerca com músicas populares girando em suas cabeças …. e então, naturalmente, as crianças são a próxima geração de tecnologia …. bobina a bobina jogadores e rádios de válvulas.

A história poderia se passar em qualquer período. Por que a década de 20?

Gramofones, telefones, essa tecnologia estava em seu auge nos anos vinte. Eu amo Art Deco, e gramofones são apenas um exemplo de como objetos do dia-a-dia eram feitos para parecerem bonitos e elegantes. Além disso, gostei da ideia de ter personagens que conversavam com o som arranhado de um disco antigo. E as músicas desse período são hilárias e têm conjuntos de músicos incríveis interpretando-as.

Além do trabalho como diretor de animações, você também é músico. De que forma essa segunda carreira influencia no seu processo de criação e mais precisamente em The Missing Key, onde ela tem um papel tão grande?

A música tem um papel fundamental neste filme, que é sobre a criação de música. A música tem sido um dos grandes amores da minha vida, e continua a me fascinar e desconcertar.

Em The Missing Key, três pessoas compuseram a música. Miles Nicholas, Kathryn Brownhill e eu. Cada um trouxe diferentes habilidades e sensibilidades para o projeto. Nós escrevemos cerca de 80 melodias no estilo da década de 20 para os personagens gramofone e, em seguida, tratamos cada uma digitalmente para soar como se fossem músicas saídas de gramofone reais daquela época. O maior problema foi a falta de tempo. A maioria da produção musical acabou caindo sobre Miles Nicholas, que fez um trabalho incrível em um espaço muito curto de tempo.

A entrevista na íntegra (em inglês) está disponível depois do pulo.

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