Estado [quase] Laico

Com a campanha das eleições municipais em reta final, muita gente anda se perguntando se o Estado brasileiro é realmente laico.  Em tese, sim. O Artigo 19, I, da Constituição dispõe que “é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvenciona-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.”

Na prática, contudo, não é bem isso o que acontece. Entre os candidatos, é cada vez mais comum alianças político-religiosas. Em SP, o candidato a prefeito Celso Russomanno (PRB), líder nas pesquisas de intenções de votos, tem atraído apoio de representantes das igrejas católica e evangélicas. Se de início, especulava-se que Russomananno seria apadrinhado somente pelo bispo Edir Macedo, dono da Record, onde o candidato apresentou um programa; há quem encare a proximidade do padre Marcelo Rossi como uma “pulada de cerca”.

Recentemente, Marcelo Rossi afirmou que confia em Russomanno. Velhos conhecidos, o líder católico celebrou o casamento do candidato do PRB e o batizado de seu filho. Além de Marcelo Rossi, até o fim da campanha, a base aliada de Russomanno deve incluir a Igreja Renascer, comandada pela bispa Sônia, e a Igreja Mundial Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago.

Em outros estados, a situação não é muito diferente. No Rio de Janeiro, o atual prefeito Eduardo Paes concentra a maior parte do apoio das igrejas evangélicas. Mas, Rodrigo Maia (DEM) continua na disputa por uma fatia do mesmo eleitorado. Para isso, vale ceder o posto de candidata a vice-prefeita à Clarissa Garotinho, cujo pai Anthony Garotinho é um dos mais fervorosos políticos da bancada evangélica, no país.  No Paraná, o pastor Silas Malafaia, que arrebanha metade dos evangélicos neopentecostais brasileiros, defende Ratinho Júnior (PSC) para a prefeitura de Curitiba.

Tanta euforia em torno das principais instituições religiosas tem, pelo menos, uma razão: pesquisas eleitorais apontam que os candidatos apoiados por determinada religião têm melhor desempenho entre os eleitores daquele credo. É esperar pra ver…

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