PROMETHEUS: retomando o DNA original

Após alguns curtas-metragens e uma bem sucedida carreira na publicidade, o diretor inglês Ridley Scott revolucionou a ficção-científica no cinema com dois trabalhos seminais, Alien: O Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner: O Caçador de Androides (1982). 30 anos depois, finalmente o diretor retorna a esse território com Prometheus, filme em que ele recupera o universo de Alien – agora numa história ambientada décadas antes do seu clássico filme de “terror no espaço”.

O longa explora os mistérios da origem da humanidade e, em boa parte de sua duração, Prometheus é uma ficção científica realmente interessada nessa ideia, e menos na ação e no suspense, que só aparecem mesmo na segunda metade da narrativa.  Um grupo de cientistas, liderados por Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Greene) investiga gravuras pictóricas em diversos lugares da Terra, todas iguais: uma figura hominídea gigante apontando para um grupo de planetas no céu. A bordo da nave Prometheus, eles partem para o sistema solar indicado nas gravuras.

Durante a viagem, o androide David (Michael Fassbender) supervisiona tudo, e Meredith (Charlize Theron) é uma mulher fria que representa a corporação para quem trabalha. Ao aterrissarem no planeta, a tripulação da Prometheus encontra uma estrutura em forma de pirâmide e descobrem fatos alarmantes sobre os alienígenas que estiveram ali (apelidados de “engenheiros”, aparentemente os responsáveis pela criação da própria humanidade). Logo se veem numa luta pelas suas vidas, quando algumas formas de vida extraterrestres começam a entrar em contato com os humanos.

É curioso notar como Prometheus segue os mesmos passos básicos de Alien. Após um breve início na Terra, somos apresentados à tripulação. Depois, eles investigam a nave alienígena e os problemas começam… Há um momento de “invasão corporal” que busca evocar a famosa “cena do jantar” onde nascia o alienígena no filme de 1979. E uma personagem feminina, pouco a pouco, ganha mais força e espaço na história, a ponto de representar a própria humanidade no conflito final.

Em Prometheus, vemos um diretor fechando um círculo completo em sua carreira, tentando recuperar o mesmo clima daquela obra do início de sua trajetória. Ridley Scott não consegue de fato, mas Prometheus é um trabalho interessante, muito bem realizado e se não supera o legado de Scott dentro do gênero, tampouco o mancha.

A decisão do diretor de construir magníficos cenários, ao invés de apenas filmar seus atores em frente a uma tela verde, deixa o filme mais impactante e real. A direção de arte e os efeitos visuais são absolutamente fascinantes. Há algumas referências ao universo de Alien salpicadas na projeção para fazer a alegria dos fãs. E o elenco reunido para o filme tem atuações consistentemente boas (especialmente Fassbender), embora nem todos os personagens sejam desenvolvidos.

Alguns problemas de roteiro prejudicam um pouco o filme, como o fato de alguns personagens agirem de forma muito estúpida (como o geólogo), facilitando as coisas para os vilões. Nem tudo é resolvido no final também: a porta fica aberta para a possível continuação, e isso pode deixar o espectador frustrado. O filme ainda sofre pela instabilidade de tom: numa hora, uma ficção-científica séria com tons filosóficos, em outra um suspense de ação com roteiro batido.

Prometheus é, sobretudo, um filme de ideias. Há questionamentos suficientes nele para estimular o público – a função de toda boa ficção-científica. Às vezes é prejudicado pela instabilidade do roteiro, mas a experiência termina sendo um pouco mais positiva que negativa. A mistura de DNA resultou num híbrido de filosofia e suspense, uma criatura fascinante de se olhar mas em guerra consigo mesma.

Cotação: ★★★ Bom

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2 thoughts on “PROMETHEUS: retomando o DNA original

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