As vantagens de ser invisível – Carta aberta para Charlie

Querido amigo,

Terminei de ler as suas cartas ontem. Sei que você preferiria que eu não as respondesse e, por um tempo, achei que talvez fosse mesmo a melhor opção. Gostaria de te dizer que você é sim ‘especial’, mas encontraria, ao redor do mundo, vários jovens com histórias parecidas com as suas, ou que, durante toda a vida ou só às vezes, se sentiram tristes e felizes ao mesmo tempo.

Queria ter recebido suas cartas quando tinha a sua idade ao escrevê-las, mas, pensando bem, nunca é tarde para aprender que “mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir da daqui”. Queria ter estudado na sua escola. Queria poder afirmar que teria tomado coragem de me sentar ao seu lado no refeitório, mas eu mesma sempre fui uma “wallflower”. O primeiro ano do ensino médio, pelo qual você acabou de passar, é mesmo intimidante. Você vai se sentir sozinho muitas outras vezes na vida, mas vai aprender a lidar com isso.

E Patrick, Sam, Mary Elizabeth, Brad… o que falar deles? Adorei saber que você encontrou amigos tão especiais e que mereciam a sua companhia. Espero que a distância não tenha separado vocês, mas as pessoas mudam e, como você mesmo disse, “a vida não para para ninguém”.

Você teve muita sorte em conhecer o professor Bill, gostaria de ter tido um desses na escola… ou na faculdade. Incluí alguns dos títulos que ele te indicou para comprar na próxima vez que eu for a uma livraria. O Apanhador no Campo de Centeio e How to Kill a Mocking Bird já estavam na minha lista. Sempre tive curiosidade de ler algum de Burroughs. Vou começar com Naked Lunch. Além disso, todos os trabalhos que ele te fez escrever foram ótimos para a sua redação, que era bem simples no início, mas foi se desenvolvendo com o passar do tempo.

Apesar de todos os anos que nos separam (não acredito que eu tenha demorado tanto para receber estas cartas!), temos outra coisa em comum. Adoro The Smiths, Asleep é ótima e está num replay constante na minha cabeça desde que você a mencionou pela primeira vez, mas fica uma dica: precisamos ouvir músicas felizes de vez em quando para melhorar nosso dia. Lembre-se disso da próxima vez que for fazer uma mixtape.

Com amor,

Amanda

 

As Vantagens de Ser invisível - Capa livro ** Não sou dessas que confunde ficção com realidade, mas quem já leu As vantagens de ser invisível (Ed. Rocco, 223 páginas), livro escrito por Stephen Chbosky, deve ter tido vontade de responder as suas cartas. Afinal, por que não? Íntimas e muitas vezes atordoantes, as cartas de Charlie mostram um jovem que não sabe se quer viver a vida ou fugir dela.

O estilo é bem fiel a forma que um jovem de 15 anos escreveria, talvez um pouco infantilizado demais. Recomendo a leitura a quem ainda está no colégio. Quem já passou dessa idade pode se contentar com o filme, dirigido pelo próprio autor do livro.

Amanda - assinatura PNG

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