Festival de Criminalidade

Não sei se é o clima do Rock in Rio ou reflexos da criminalidade, mas neste final de semana os bandidos fizeram a ‘festa’ lá em casa. Imagine você, que meu tio foi rendido por dois assaltantes no momento em que guardava o carro na garagem.
Um deles, com o rosto descoberto, – porque para muita gente, a cara de pau basta -, empunhava uma arma, enquanto o outro, encapuzado, invadia a propriedade. A família quase toda ficou refém, por cerca de 30 minutos, em um dos cômodos. Tempo suficiente para eles fazerem a faxina, ou melhor, a bagunça, já que retiraram quase tudo do lugar.
Digo quase todos porque eu, SEMPRE EU, dormia tranquilamente no meu quarto.  Filha de Morfeu, imagino que tenha pegado no sono momentos antes, sobre uma pilha de livros, enquanto me preparava para uma prova. Eis que o bandido encapuzado entra no meu quarto e diz: “Ah,está estudado né?!”. E sai sem me incomodar.
Como qualquer pessoa sonolenta pensei: “Que pesadelo”. E continuei com a minha soneca, indiferente aos gritos do outro assaltante no quarto ao lado. Mas como todo pesadelo pode se tornar realidade, o bandido encapuzado voltou e resmungou: “E não tem ouro?” Abri os olhos e lá estava o monstro, indignado, vasculhando minha escrivaninha e meu armário.
Na boa, se não fosse o bom senso, teria respondido que a joalheria era para ao lado. Até pensei em oferecer um cafezinho, porque, sinceramnte, nunca vi bandido tão retardado. E olha que já tive a infelicidade de cruzar com aguns dele pela cidade. O deliquente roubou meu computador, contudo deixou o modem da internet 3G. Pegou dois celulares SEM CHIP e BATERIA, e me trancou no quarto pelo lado de fora com outro aparelho carregando na tomada. Ai ai.
Ainda teve a ousadia de colocar as mãos na frasqueira da minha avó que, aos 87 anos, não se fez de rogada:
– Fica longe da minha bolsa de oração.
– A senhora é católica, TIA?
– Graças a Deus.
– Tá certo tia, continue a rezar.
No fim, saíram impunemente levando carro, dinheiro, eletrodomésticos e outras coisas que julgaram de valor. Minutos depois a família se reuniu, todos salvos e nem um pouco sã:
– Gente, tô tão nervosa que preciso de um cigarro. – disse minha tia
– O maço que estava no armário da cozinha? – falou minha outra tia. – Esquece, ele levou também.
– Que cigarro o quê. – comentou meu tio. – Vou é tomar um banho, porque aquele imundo encostou em mim.
– Só se usar apenas água. – reclamou meu primo. – Eles carregaram TODAS as caixas de sabonetes que estavam não armário.
–  Se precisar de um hidratante, sobrou Boticário e Natura – ofereci solícita. – Os da Victoria Secret e Givenchy também se foram.
– Tá brincando – perguntou minha tia. – Só acredito vendo?!
– E por falar em ver, não sobrou UM Ray Ban para contar história. – lamentou meu primo.
–  Deus toma conta. – orou minha vó…
– Ah, só se for Deus mesmo. – ressaltou minha tia – Porque eles levaram a minha coleção inteira de bottons de Nossa Senhora achando que eram de ouro.

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