Liberdade – eles também têm direito

O Brasil, rico em biodiversidade, sempre atraiu os olhares para a sua natureza exuberante. E o que falar das espécies que compõem as cores deste Brasil? Depois do mercado de armas e drogas, outro forte comércio ilegal que marca presença no país é o tráfico interno ou a exportação de animais silvestres. Trata-se de um crime ambiental que acarreta o desequilíbrio na cadeia ecológica, a possibilidade de extinção, além de provocar o sofrimento dos animais e privá-los de liberdade.

Enquanto o tráfico internacional é sofisticado, um negócio altamente lucrativo e que envolve empresas de grande porte, o tráfico interno é movido em grande parte por caminhoneiros, motoristas de ônibus e pequenos comerciantes.

É importante lembrar que o problema se estende a uma questão social, pois muitas pessoas de baixas condições financeiras e que residem próximas às matas encontram nesta atividade de captura de animais silvestres, e a posterior venda aos traficantes, o seu ganha-pão.

A fim de burlar o sistema de fiscalização em rodovias e aeroportos, as redes traficantes realizam o transporte dessas espécies em péssimas condições de acomodação e, sem alimentação ou ventilação satisfatória, dificilmente conseguem chegar ilesas ao destino final. Estima-se que, a cada 10 animais que são capturados de seu habitat natural, nestas condições, apenas um sobrevive.

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil constituem as principais rotas do tráfico, que desemboca os animais, principalmente, no Rio de Janeiro e em São Paulo, sendo muitas vezes encaminhados para o exterior. Entre as 10 espécies mais traficadas no país, de acordo com os dados do IBAMA – órgão responsável pela fiscalização e conservação da fauna –, estão:

Os micos-estrelas (sagui-de-tufos-pretos ou brancos), que são uma espécie de macaco nativa das regiões Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, mas já dominam o cenário carioca, sendo considerados invasores na Mata Atlântica Fluminense;

a Iguana, também conhecida como iguana-verde, que é característica do Norte do Brasil e um dos répteis mais criados em cativeiro;

o curió, que é uma espécie nativa do Brasil muito apreciada pelo seu canto, é um dos mais apreendidos no combate ao tráfico de animais silvestres no país, mas também possui muitos criadores registrados por meio do IBAMA;

o papagaio-verdadeiro, que é nativo do Brasil e tornou-se também muito comum no Rio de Janeiro.

Qualquer pessoa pode se voluntariar ou denunciar feiras e locais suspeitos à RENCTAS (Rede Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres), um projeto desenvolvido em parceria com o IBAMA para auxiliar no combate ao tráfico de animais silvestres. http://www.renctas.org.br/pt/home/

Para os amantes de bichinhos de estimação e que desejam criar uma espécie de animal silvestre no conforto de seu lar existe, hoje, a alternativa de ser um criador consciente e devidamente registrado pelo IBAMA. É possível comprar, de forma legal, o animal nascido em cativeiro credenciado pelo órgão, já com os devidos cuidados veterinários e sem a interferência direta no ecossistema. A iniciativa é mais uma forma de atenuar os problemas do tráfico ilegal, apesar de ainda não tê-los solucionado.

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